Noiva BH por Rose Quadros

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Quero ser uma princesa! Ou não…

26/06/2012

Como a maioria das mulheres da minha idade, cresci lendo e assistindo os contos clássicos das princesas que foram imortalizadas genialmente pelos estúdios Disney através de seus filmes infantis. As mensagens de que o bem sempre vence o mal e todos merecem um final feliz, trazem esperança e alegria para todos nós.

Minha história favorita na infância era a da Bela Adormecida. Assistia praticamente todos os finais de semana. Adorava toda a magia das fadinhas que a protegiam, sua brigas (melhor rosa ou azul?) e é claro, a luta do príncipe contra a bruxa má! Ela cria uma floresta de espinhos que ele enfrenta bravamente e depois ainda tem coragem de encarar o dragão no qual a bruxa se transforma, tudo para salvar o seu amor! Que coisa mais linda!

Mas na verdade nem sempre os contos foram como nós conhecemos. Nesse final de semana ganhei do maridão um livro que achei fantástico, já que sou super fã dos contos de fadas. Se chama “Branca de Neve – Os Contos Clássicos” da editora Generale.

Ao contrário do que muita gente pensa, a história de Branca de Neve e os sete anões que foi apresentada por Disney em 1937 no longa metragem infantil de tanto sucesso, passa bem longe dos contos originais que surgiram na Europa e foram passados oralmente ao longo dos séculos. Mesmo os irmãos Grimm que registraram os contos clássicos pela primeira vez, fizeram várias modificações, adaptando as fábulas aos costumes e crenças de sua época. Nesse livro aparecem versões magníficas de Branca de Neve onde ela pode ser uma princesa ou uma escrava, onde os anões são ladrões e a malvada da história não é a madrasta, mas a própria mãe da menina. Fiquei impressionada com a inventividade, lirismo e crueza, que mostram o modo de pensar de diferentes povos e épocas, desde o século XVI. Outra coisa muito interessante nesse livro é forma de apresentação. É mostrada uma história e logo depois há o comentário do professor Alexandre Callari. Esses comentários que me fizeram pensar e reavaliar todos os contos de fadas que eu sempre amei tanto.

Começando pela própria Branca de Neve e analisando as histórias como nós as conhecemos. Ela é totalmente dependente. Não se defende da rainha, não tenta fugir do caçador, pede abrigo aos anões e em troca fica como dona de casa. O pouco tempo em que é deixada sozinha é o suficiente para que a ingênua (para não dizer outra coisa) menina, abra a porta para uma desconhecida, mesmo depois das recomendações dos anões para que ela não abrisse para ninguém, e aceite a maçã envenenada. Desde pequena minha mãe me falou para não aceitar nada de estranhos. O caçador é um medroso. Não tem coragem de executar as ordens da rainha, mas também não ajuda a princesa abandonando-a à sua própria sorte no meio de uma floresta. E o príncipe, que só aparece por alguns minutos, é o salvador da pátria! Ele que é o responsável por salvar a princesa, desposá-la, tornando sua rainha, senhora do castelo (dona de casa novamente) e mãe dos seus filhos.

A Bela Adormecida e a Cinderela seguem a mesma linha. Donzelas ingênuas que seguem tudo exatamente como é mandado e esperam um príncipe encantado para que a vida delas seja salva e tenha algum sentido. A única princesa clássica dos filmes que tem um pouco de personalidade é a Bela de “A Bela e a Fera”. Mas no filme mesmo temos o personagem Gastão que é enfático com Bela dizendo que mulheres não precisam ler. Caramba!

Gente!! Nada contra as várias mulheres que se sentem realizadas trabalhando somente em suas casas e cuidando dos seus filhos. Aliás, cuidar de uma casa e dos filhos não é nada fácil! Admiro muito essas mulheres! Mas será mesmo que a gente PRECISA ser esposa e mãe para ser completa? Não podemos alcançar a realização estando sozinhas e com uma profissão fora de casa? Temos que ser donzelas indefesas à espera de um príncipe encantado? O mundo mudou e as mulheres assumiram mais responsabilidades. São fortes, batalhadoras, inteligentes e tem toda a capacidade de ser uma empresária de sucesso e chegar em casa à noite para curtir os filhos e o marido.

A verdade é que os contos de fadas são adaptados à época em que são contados. Com isso vemos novas histórias surgindo com novas versões de princesas, como é o caso dos novos filmes “Mirror, Mirror” e “SnowWhite and the Huntsman” e também o seriado “Once Upon a Time” onde a Branca de Neve e outras princesas são mostradas de uma maneira bem mais atualizada. São todas donzelas, mas sabem se defender também! Tem atitude!

Da esquerda para a direita: Branca de Neve em “Mirror, Mirror”, Branca de Neve em “SnowWhite and teh Huntsman” e Branca de Neve em “Once Upon a Time”

No fundo no fundo, todas nós temos um lado princesa. Chegar em casa depois de um dia de trabalho e receber um carinho do marido, noivo, namorado, companheiro, o príncipe encantado. Certa é a Fiona! Meio princesa, meio ogro e tem como companheiro um cara que a ama como ela é. Rs!

 

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Escrito por: Mariana Reis
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