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Lua de mel: Kyoto (Japão)

29/07/2013

Se Tóquio é o centro do poder político e econômico japonês, Kyoto é a alma e a essência da cultura japonesa. Da meditação zen à cerimônia do chá, da arquitetura refinada às gueixas finamente vestidas em quimonos de seda, a antiga capital é a fortaleza das tradições mais gloriosas do povo japonês. Capital do Japão por séculos, Kyoto abriga não só um dos palácios imperiais do Japão (o outro está em Tóquio), mas também jóias arquitetônicas como a bucólica vila imperial de Katsura Rikyu e o castelo Nijo, onde os xoguns – os generais que detinham o poder de fato -, lançavam ordens para seus vassalos por todo arquipélago. A cidade também sedia três dos mais animados e coloridos festivais do país, os ‘matsuris’ Aoi (maio), Gion (julho) e Jidai (outubro) quando milhares de pessoas vestem-se com indumentárias tradicionais e desfilam pelas ruas e templos da cidade. Uma das experiências fundamentais para o visitante de Kyoto é hospedar-se nos tradicionais ryokans, dormindo sobre futons em esteiras de tatami. Eles são a quintessência da hotelaria nipônica e lá você encontrará alguns dos melhores de todo o país. A grande maioria deles serve o kaiseki, um banquete com uma elaborada sequência de pratos que se distinguem por seu sabor, ingredientes, formas de preparo e apresentação. Os menus são sazonais, com sabores ora delicados, ora pujantes.

 

Passeios

Templo Kyomizu Dera

Dentre as dezenas de templos budistas e xintoístas de Kyoto, um dos mais emblemáticos é o Kyomizu Dera. Fundado no século VIII, sua famosa plataforma com colunas de madeira foi reformada durante o shogunato Tokugawa, no século 17. As vistas de Kyoto a partir daqui são algumas das melhores da cidade. O nome Kyomizu Dera significa literalmente templo da água pura, e aqui se encontra uma fonte até hoje venerada por locais e turistas. Para se chegar até o templo desça nos pontos de ônibus Gojo-zaka ou Kiyomizu-michi, na avenida Higashi Oji Dori e suba a pitoresca rua comercial Matsubara, repleta de lojinhas de lembranças.

Kinkakuji

Um pequeno e singelo templo budista defronte a uma tímida lagoa, tendo ao fundo um amplo bosque, é o símbolo de Kyoto e uma das imagens mais reconhecidas do Japão. Tudo por conta de suas estruturas de madeira folheadas a ouro. Construído em 1397 pelo poderoso xogum Yoshimitsu Ashikaga como uma vila de descanso, este seria transformado em templo após a sua morte. Sua delicada beleza sempre atraiu muitos turistas de dentro e fora do Japão. Em 1950, um aprendiz de monge obcecado com as formas do Pavilhão de Ouro ateou fogo às suas estruturas, destruindo-as completamente. O edifício atual data de 1955. Essa história é narrada, com tons ficcionais, pelo não menos atormentado escritor e poeta Yukio Mishima. O Kinkakuji encontra-se em meio a jardins e bosques do templo zen-budista Rokuonji, na parte norte da cidade.

Castelo Nijo-Jo

Por mais de mil anos Kyoto foi a capital imperial do Japão e seu centro do poder era o grande Palácio Imperial. No entanto, por um período de 250 anos, entre os séculos 17 e 19, o poder de fato esteve nas mãos dos xoguns da família Tokugawa e sua base em Edo, a Tóqui atual. Unificando o país após a decisiva batalha de Sekigahara e o aniquilamento do clá Hideyoshi, eles instalariam um período de paz e isolamente controlado a partir do castelo de Edo. No entanto, quando estavam em Kyoto, sua sede era o Castelo Nijo-jo. Ao contrário da maioria das fortificações nipônicas, quase sempre instaladas em morros e colinas, o forte dos Tokugawa encontra-se numa planície no centro da cidade. O amplo complexo de 275 mil metros quadrados tem como destaque o ricamente ornamentado portão Karamon e o palácio Ninomaru. Este é uma sequência de edifícios que gradativamente iam sendo mais protegidos, incluindo um assoalho que denunciava eventuais invasores mais sorrateiros. Estas diferentes câmaras possuem alguns dos mais ricos exemplares de pintura japonesa, tanto nas paredes, como nas portas e nos tetos. Um segundo palácio, o Honmaru, protegido por uma segunda linha de fossos e por uma grande torre – hoje só resta sua base de pedra, encontra-se desfalcado de muitas de suas características originais, por conta de incêncios e deslocamento de edifícios.

Palácio Imperial de Kyoto

Do ano de 792 a 1868, Kyoto foi a capital oficial do Japão e casa da família imperial. Houve tempos de intermitência neste período, principalmente a partir do início do século 17, quando o clã Tokugawa passou a ser o poder político de fato do país, mas o Palácio Imperial de Kyoto era uma ilha de veneração e bastião da cultura nipônica. Por aqui floresceram artes, a moda e a gastronomia nacionais, enquadrados na quintessência da arquitetura e filosofia de uma corte fechada e extremamente isolada. Se o imperador era um símbolo, a condução administrativa do país seguia sob o braço forte dos Tokugawa no Castelo Nijo – poucos quarteirões a sudoeste e, principalmente, no Castelo de Edo, em Tóquio que, curiosamente, após a Restauração Meiji de 1868, passou a ser o principal Palácio Imperial do país. Há dois roteiros básicos para se visitar este palácio, um curto de 35 minutos e outro de uma hora, passando por diversos edifícios históricos, jardins, portões e pátios. Para quem quiser seguir um guia que fala inglês, só existem tours de 60 minutos, às 10 e 14 horas. Reservas antecipadas são imprescindíveis (veja detalhes no site da Agência Imperial), mas alternativamente você pode fazer o pedido pessoalmente, com ao menos 20 minutos de antecedência. O passeio pode ser feito por cadeirantes, mas, infelizmente, a todos só é possível ver de fora prédios como o Seiryo-den (o edifício principal) e o Kogosho (Palácio Menor).

Templo Ryoanji

O jardim de pedras mais famoso do planeta encontra-se aqui, em Kyoto. O templo Ryoanji foi construído em 1450 por Hosokawa Katsumoto, quando o país estava sob o domínio do shogun Ashikaga. Apesar de várias partes do complexo terem desaparecido ao longo dos séculos — por conta de incêndios e guerras –, seu mais conhecido (e singelo) símbolo é um espaço essencialmente vazio. Ou seria muito cheio? Em um retângulo de pouco menos de 250 metros quadrados repousam rochas que escondem enigmas emoldurados por um muro baixo. Seriam ilhas no oceano? Ou picos emergindo das nuvens? A resposta está na filosofia zen — ou seja, não há resposta correta. A partir da estação JR Kyoto, pegue o ônibus 50 e desça na parada Ritsumeikan-daigakumae. Dali são 7minutos de caminhada até o portão de entrada. Se pegar o trem Keifuku da linha Kitano, desça na estação Ryoanjimichi. Aqui também são necessários 7 minutos a pé.

Bairro de Gion

O bairro de Gion é uma das áreas mais antigas de Kioto, conhecido por ser, há séculos, o distrito das gueixas. O lugar, claro, é cheio de turistas, mas suas casinhas de madeira escura – um dos poucos lugares no Japão onde essas construções ainda sobrevivem – suas ruas estreitas, seus salões de chá e pequenos teatros onde as gueixas realmente vivem e trabalham. Antes de qualquer outra coisa, gueixas são profissionais treinadas para entreter seus clientes, o que não tem nada a ver com sexo, ao contrário do que idealiza o imaginário ocidental. Elas são especializadas em artes clássicas, servem as refeições, cantam, dançam e conversam. Para ver suas apresentações, que acontecem em lugares muito exclusivos, só pagando caro, cerca de US$ 500 por um jantar, pelo menos.

Sanjusangendo

O elegante edifício, formado por aproximadamente 120 metros, ficou mais conhecido por essa característica do que pelo nome oficial. Sanjusangendo (o hall das trinta e três baias) sobrepujou-se ao nome Rengeo-in, mas a mística continua intocada. Do lado de fora, o lendário samurai Miyamoto Musashi travou o famoso duelo com um dos membros do clã Yoshioka e, até hoje, arqueiros testam suas habilidade disparando flechas de uma ponta à outra do longo corpo amadeirado. Mas é dentro que se encontra uma das mais emblemáticas imagens de Kyoto: as mil e uma imagens douradas da deusa da misericórdia Kannon. A imagem central, de cerca de 1,80 m, possui onze faces e mil braços. Na verdade, são 40, que simbolizam cada uma outras vinte e cinco. Além de Kannon, outras estátuas de divindades dividem espaço no escuro corredor posterior, representando deuses da antiga mitologia nipônica, como o do Vento e do Trovão. O templo original foi construído pelo antigo imperador Go-Shirakawa em 1164. Destruído por um incêndio em 1249, foi reconstruído em 1266.

 

Como Ir

Kyoto é facilmente acessível via ferroviária com o trem-bala, ou via aérea pelo Aeroporto Internacional de Kansai. De trem, a principal estação ferroviária da cidade é a JR Kyoto, uma gigantesca estrutura que mescla centro de compras, entretenimento e, sim, transportes. Daqui para Osaka são 15 minutos em trem-bala ou 30 minutos em trem expresso (¥540). Tóquio (2h20), Himeji (1h) e Nara (45 minutos) são outros destinos populares. Esta estação faz parte da linha Tokaido/Sanyo de trem-bala shinkansen, que liga Tóquio a Fukuoka, passando por outras importantes cidades como Yokohama, Nagoya e Hiroshima. Via aérea, a decisão óbvia é o Aeroporto de Kansai, situado a 50 km de Osaka. Para se chegar em Kyoto, as opções são táxis (85 minutos) ou, mais convenientes e baratos, trens (75 minutos). Utilize o serviço expresso JR Express Haruka, que sai a cada 30/60 minutos (dependendo do horário do dia) e custam ¥2000.

Quando Ir

Março e abril, na época da floração das cerejeiras e ameixeiras; verão, para os festivais de verão como o Gion; e entre o final de setembro e novembro, principalmente neste último mês, quando as folhagens outonais tingem a cidade de tons de amarelo e vermelho.

Documentos e Vistos

Para entrar no Japão, é necessário visto. Mais informações junto aos consulados em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Belém, Manaus, Recife, Curitiba e Porto Alegre.

 

Onde Ficar

A maioria dos hotéis turísticos (que também servem os viajantes a negócios) fica no entorno da estação JR Kyoto. Estabelecimentos mais tradicionais, com serviço, culinária e infraestrutura impecáveis podem ser encontrados em setores na montanha Higashiyama e no bairro de Gion. Como uma das principais cidades turísticas do Japão, as diárias aqui são relativamente mais caras que no resto do pais e a procura por quartos é bem alta. Se você planeja uma visita entre março e abril, período de florescimento das cerejeiras, ou em outubro/novembro, época das folhagens de outono, planeje-se com antecedência. A cidade oferece uma ampla variedade de tipos de estalagem, de albergues despretensiosos e baratos a hotéis de quatro e cinco estrelas com todas as mordomias esperadas por um turista ocidental — café da manhã, internet, serviço de quarto, canais de TV como CNN e ESPN e ar condicionado. No entanto, se quiser ter uma noite no melhor estilo japonês, gaste um pouco mais de dinheiro e invista em um ryokan, hospedagens onde você dorme sobre futons e tatamis e pode provar o melhor da gastronomia local. Vale cada centavo.

O que Comer

Como principal bastião da cultura japonesa, Kyoto é o local onde se prova boa parte do melhor da gastronomia tradicional japonesa. Aqui e ali você encontrará boas casas de sushi — aliás, uma invenção de Tóquio –, mas são doces refinados, alguns dos melhores chás do país e, principalmente, os banquetes do tipo kaiseki que farão sua experiência inesquecível. Bons restaurantes necessitam reservas com antecedência. Infelizmente muitas das melhores casas não estão preparadas para receber o turista estrangeiro, pois são pequenas e bem familiares. Se o seu paladar procurar por sabores mais reconhecíveis, aqui não faltam porém restaurantes, bares e lanchonetes com pratos ocidentais.

Moeda

A moeda usada em Kyoto é o Iene (¥).

Idioma

O japonês é o idioma oficial. Alguns estabelecimentos com público mais jovem falam inglês.

 

Clima

Apesar de seu pequeno território, o Japão estende-se numa extensão de latitude suficiente para permitir variações relativamente expressivas nas temperaturas e no regime de chuvas. Aliás, você tem uma boa capa de chuva? A média de precipitações no Japão é o dobro da média mundial e há três períodos de muita umidade: no inverno (dezembro e janeiro) chove muito e neva forte perto do Mar do Japão, na costa oeste; em junho e julho, chove bastante em todo o país, principalmente na costa do Pacífico; e de julho a começo de outubro, não só chove como pode haver tufões, principalmente no sul. Assim, a melhor época para ir a Tóquio é de maio a agosto; para Nagasaki e proximidades, bem como para Kyoto, é abril, maio, outubro ou novembro; para a ilha de Hokkaido, é de maio a outubro; e, para Kanazawa, de abril até junho.

Fuso Horário

São dozes horas a mais em relação a Brasília.

Transporte

A maneira mais fácil de conhecer a cidade de Kyoto é utilizando a malha metroviária da cidade. Com as duas linhas Karasuma Line e Tozai line é possível chegar aos principais pontos turísticos da cidade. Cada viagem de metrô custa entre 210 e 340 yens. Outra opção interessante é a utilização dos ônibus, que são relativamente fáceis de serem utilizados. Os ônibus são organizados através de cores, na frente são identificados pelo número da linha, e as principais paradas são anunciadas em inglês através de avisos sonoros ou letreiros internos. Cada viagem de ônibus custa 220 yens.

Toque Romântico

Um lugar para caminhadas mais românticas é o chamado Caminho do Filósofo, uma rota repleta de cerejeiras, à beira de um canal, entre dois templos, o Ginkaku-ji, ou Silver Pavilion, e o Nanzen-ji. São dois quilômetros com cafés e restaurantes para paradas estratégicas e pequenos santuários escondidos.

À beira do Rio Kamo, casais também andam de mãos dadas. Entre maio e setembro, antes de o frio começar, os restaurantes da área instalam terraços temporários sobre o Kamo, conhecidos como noryoyuka. Comer e beber nessas varandas, à noite, sob a luz de lanterninhas vermelhas e ouvindo o barulho do rio, faz você se sentir num filme. Com final feliz.

Fonte: viagemdeluademel.com

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Escrito por: Mariana Reis
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